Eparquia Ortodoxa do Brasil
Repouso e segunda descoberta das relíquias de São Serafim, Taumaturgo de Sarov
02 de janeiro -- Calendário Juliano
Um dos grandes ascetas da Igreja Russa, Serafim nasceu em 19 de julho de 1754, e recebeu o nome de Próscoro. Seus pais, Isidoro e Agathia Moshin, viviam na cidade de Kursk. Seu pai era um comerciante do ramo de construções, e iniciou, já no fim de sua vida, a construção da Catedral da cidade, mas faleceu antes de vê-la pronta.
Um dos primeiros milagres associados à vida de Serafim foi quando ele caiu da construção da catedral, que estava sendo terminada por sua mãe. Mas, protegido pelo Senhor, o pequeno Próscoro nada sofreu. De outra feita, a criança caiu doente, e foi curada quando beijou um ícone de Theotokos que passava em uma procissão da igreja.
Já adulto, Próscoro decidiu se dedicar à vida monástica, e em uma peregrinação foi abençoado pelo schemamonge Disophei, que o indicou ao mosteiro de Sarovsk, cujo Hegúmeno era o Padre Pacômio.
Aceito no mosteiro como noviço em 1778, tornou-se filho espiritual do ancião José, por meio de quem passou por diversas obediências, sempre cumpridas com zelo e amor. E, sempre que podia, o noviço rumava para a floresta, onde se isolava para praticar a Oração de Jesus.
Depois de dois anos mais uma cura miraculosa ocorreu em sua vida. Sofrendo de hidropisia por três anos, seus pais espirituais tentaram convencê-lo a aceitar a ajuda de um médico. Mas Próscoro lhes pediu que não chamassem ninguém da cidade, pois havia pedido ao "Verdadeiro Médico de almas e corpos" por sua cura. Foi então que teve a visão da Toda Santa e Pura Theotokos acompanhada dos Santos Apóstolos Pedro e João Teólogo. A Mãe de Deus apontava para o noviço e dizia a São João, "este é da nossa linhagem". Então ela tocou o seu corpo, e dele começou a sair um fluido até que a doença fosse embora.
Depois de oito anos como noviço no mosteiro de Sarov, Próscoro aceitou a tonsura e se tornou o monge Serafim. Um ano depois foi ordenado monge-diácono, servindo diariamente no templo e orando incessantemente até depois dos ofícios, período em que foi agraciado com várias visões de anjos concelebrando com a comunidade, e, inclusive, a visão do próprio Senhor Jesus Cristo circundado pelas Hostes Celestes. Depois desta visão, o monge Serafim intensificou seus esforços ascéticos diários e à noite, quando isolado na floresta, prosseguia em oração.
Em 1793, aos 39 anos, passou a viver numa cela monástica no interior da floresta, quilômetros distante do mosteiro. Vivendo solitariamente em oração e jejum, visitava sua comunidade somente nas vésperas de sábado, retornando à floresta após a Divina Liturgia.
São Serafim praticava um jejum bastante estrito, comendo apenas uma vez por dia, e nada comendo às quartas e sextas. Durante a quaresma pascal ele não aceitava nenhuma espécie de alimento. Sua imersão na oração era tão intensa e profunda que algumas vezes parecia nada ver ao seu redor. Quando visitantes do mosteiro o encontravam nesta situação, reverentemente deixavam-no quieto para não interromper sua contemplação.
Com o tempo, pessoas de toda a Rússia adentravam a floresta para conhecer São Serafim e para receber seus ensinamentos e conselhos. Como isto atrapalhava sua solidão, ele pediu ao Hegúmeno do mosteiro para que mulheres não fossem admitidas, e depois para que nenhum leigo pudesse visitá-lo. Seu pedido foi atendido, mas São Serafim passou a ser visitado constantemente por pássaros de todas as espécies da floresta, e por bestas selvagens, como lobos e até ursos, um dos quais passou a se alimentar em sua mão.
Vendo os esforços do monge Serafim, o adversário se levantou contra ele, buscando forçá-lo a romper seu silêncio e conduzindo uma 'guerra mental', com contínua e persistente tentação. São Serafim tornou-se então um estilita, e durante mil dias e noites permaneceu ajoelhado em cima de uma rocha fazendo a Oração de Jesus.
O diabo, envergonhado pelo santo, enviou ladrões para assaltá-lo. Embora estivesse com um machado em mãos na ocasião, Serafim largou-o e disse-lhes que fizessem e levassem o que quisessem. Os ladrões bateram no santo a fim de matá-lo, e reviraram sua cela em busca de algo de valor sem nada encontrar. No dia seguinte, muito ferido, São Serafim alcançou o mosteiro com muita dificuldade, e os médicos se espantaram que continuasse ainda vivo. Mais uma vez foi curado por uma aparição da Rainha dos Céus. No entanto, os graves ferimentos deixaram São Serafim curvado até o fim dos seus dias, se apoiando em um pequeno cajado.
Após a morte de seu amigo de juventude e líder do mosteiro, o Padre Isaías, São Serafim tomou sobre si a obra do silêncio, e durante três anos não pronunciou palavra alguma. Com a velhice chegando, São Serafim aceitou a oferta do Hegúmeno Nyphont, e retornou ao mosteiro em 1810. Mas continuou vivendo em um pequeno eremitério, onde via poucas pessoas. O monge havia recebido grandes dons espirituais, de discernimento, contemplação, sabedoria e taumaturgia.
Em 25 de novembro de 1825, Theotokos apareceu a São Serafim acompanhada de outros dois hierarcas, e lhe disse para sair de sua vida eremítica a fim de consolar, guiar e curar os demais. O monge abriu então as portas de sua cela para todos. O starets conhecia o coração das pessoas e era um grande médico espiritual que a todos tratava com transbordante amor. Na parte final de sua vida, o santo monge dedicou-se a seus filhos espirituais e às monjas do mosteiro de Diveevo. Um de seus discípulos, Nikolai Aleksandrovich Motovilov, registrou por escrito alguns dos ensinamentos do ancião Serafim sobre o escopo da vida cristã.
No último ano de sua vida, um daqueles que foram por ele curados viu São Serafim levitando no ar durante suas orações, mas foi proibido de contar sobre isso enquanto ele ainda não houvesse adentrado do Reino dos Céus.
Durante seu último ano de vida, o monge Serafim falou muito sobre seu fim próximo, período em que frequentemente via seu próprio túmulo. Em 2 de janeiro de 1833, os monges encontraram São Serafim de Sarov em posição de prece diante de um ícone, mas sem vida, enquanto itens como livros pareciam ter sido consumidos por um fogo.
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